29.9.11

Saginata



me contenta a idéia da plenitude ser tão gasta
enquanto você me penetra
com a mortalidade descalça os fiapos
crescendo cabelos cordões vigílias
a chuva ainda cai e molha meu beijo
minha rúpia minha falsa modéstia
em te amar em te desalmar
te amarrar livremente, pede pede rouco
em te desarmar me desossa
a mentira do vazio
desisto
que caralho o copo não é proporcional à sede
o corpo não cobre a fábula
a alma não copula a chaga
a boca cala e emana que eu te partirei ao meio
intacto
não me assusta se teu indicador é mole
se tua língua pica
se no banho tu oval eu às cócoras e a paixão seja de sabonete
de glicerina
a feminina hiância é esse brejo que ninguém conquista
um buraco negro súmula malformação
que invagina mastiga e faz sumir o mundo
nada me preenche
nem um tronco nem tua rua
se amo te escarro
e você estará eternamente só
comigo



E o medo
de ser desamado pelo seio ardido

3 Deram do sangue também:

Natália Nunes disse...

Saginata: do latim, "preenchida por".

O Impenetrável disse...

simplesmente encantado com todos esses poemas.

uma maravilha de leitura. e voltarei sempre.

marianabarcelos disse...

'esse brejo que ninguém conquista'

nem eu mesma


beijos beijos