longa mulher com rosto de noite com marquise atônita na boca que não compareceu
tem fôlego mas não indaga porque adivinha que o lúmen as descargas elétricas a indecisão
- e as metades e as lâminas e os insights
de uma sombra penetrante coisa que engole e mastiga e que grudada à mulher
faz a mulher, é a mulher
a potência a fervura o jato plurivalente -
e a indecisão
apontem rumo ao pescoço perdido há muito sumido ao norte.
mulher tampada pelo imenso céu quieto arredonda a voz diante da áspera paternidade do mundo
- porque o que se faz esférico não estranha as curvas e muito lhe custa a doutrina de afiar pontas -
céu que te comunga e te afasta em estrela
corpo branco que tateia o escuro como a nuvem que sublima
a dúvida do que é lixo da pronúncia engajada formando pigarro.
você que foi Medusa que foi Pangéia que é a repetida falha a visão periférica de uma saída.
lembra com amor do amor que te encheu de dardos
mulher eu sou mulher com afinco com delírio com as costelas quebradas pelos póstumos partos
tenho em meu espírito a indecência de uma marca pelo divórcio de Adão.

2 Deram do sangue também:
"as costelas quebradas pelos póstumos partos
tenho em meu espírito a indecência de uma marca pelo divórcio de Adão".
poema tão profundo, natália.
tão forte que quebra a retidão da sintaxe.
difuso de beleza.
beijos!
Uma intensidade que talvez já tenha sido, mas hoje já não se encontra, viu ?
Mulheres hoje são tão prudentes.
Ruins esses tempos modernos.
Beijo, Natália.
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