25.3.11
deixa aí a fruta partida aberta mesmo a faca suja e doce
deixa a formiga o sumo melando o pano o mármore
a clivagem de uma quinta urbana deixa aí e chega perto
depois de muito tempo pousada num outro idioma
depois de diagnosticada bipolar sociopata hemorrágica chega
e desce do trânsito larga os velhos buracos queimando larga os dedos da roda
deixa que a roda os pinos os astros todos cirandam no automático
e não se preocupe com a faca parada na pia suja ha tantos dias
vá lá nadar de boca aberta vá surrar tua alminha
aproveite e troque as penas bote tinta nas penas.
ah, meu Deus, é tanta pena, mas não brocha agora não desmaia respira bebe
bebe água, minha filha, bebe dessa água comprimida nos porões
nos balões nas gotas de mar que aqui chegam no chuvisco
deixa lá atrás as noites incompletas os sinônimos malditos os ecos
deixa lá o pico a ode a guerra e corre
mas sem pressa
tira do pé a afobação a dignidade do primeiro lugar
corre só pra fazer suar a distância
só pra dar sede vontade de encharcar a grande trilha do corpo
com alguma coisa fria o bastante
para atingir o nervo do sentido esturricado exausto bisonho
tripartido
onde o teu vício teu improviso a ansiedade onde a jactância a moda
cadê a camaradagem os cordões de parentesco?
onde a lambida do drama a solidão no espelho na pupila?
deixa aí que o raio parte.
olha, o querosene consome até a última fibra o último calo
diz adeus. deixa ir.
exerce, minha filha, o curto-circuito
nas perfeitas condições de temperatura e pressão
choca, arredonda o amor se tiver que ser deixa aí a grande missão
e corre.
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4 Deram do sangue também:
que belo. que ritmo.
correr sempre é uma opção;
;**
Muito belos teus poemas sofisticados, Natália, teu dizer que dá e tira.
Nossa.
promoves uma desconstrução tal da poética, que o que dizes ganha fluidez, água que percorre vastidões de sentidos. gosto imenso!
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