12.2.12

dehors




quase num susto vou dizendo
que não digo
mas não calo alocada
que fico num trânsito
entre as coisas desfiguradas
nessa alma fora de mim
picada e que recolho
devagar cega inesperada

surpreendo-me sem remorso
robusta sob esses retalhos
cresço com as ondas
cúmplice falível necessitada
e porque tão efêmera
é como se não fosse


e quase num susto vou vivendo.



10.2.12

Mandrágora




estar tão interior que a saída seja obrigar a monogamia do ato
ainda que aos olhos seja intrusa essa mão no ventre
e a palavra exaurida, a idéia os solavancos a chaga pineal
invade e alastra o ponto nu atingido
delatado tão exato
perplexo como se fosse um amor
como se fosse uma morte
a escuridão lá no fundo fica caída baleada feito morta
ampla, parada
eterna
tateada desde sempre
desconhecida




10.1.12

Tola





a lascívia da maturidade
das frutas acumuladas
nos baldes esparramadas
nas sombras tão prontas
poupa tão prestes 
a acusar a química
por uma ronda febril
pela fatal perdição




3.1.12



a sobrevivência hipnótica das chamas dos seus cabelos
que teimam em chamuscar meu peito

feito avalanche sem gravidade
belicosa seda




14.11.11

convenci que esquecia
eu convencionei estar rara
com o que eu dizia
calei a fera e nunca mais




 
só que a esquerda ainda
é ilícita à direita
o sonho ateu do homem
vinga a imagem do Deus
a terra ainda está na terra
e meus dedos perseguiram
a mancha na alma dos homens
mas nada achei
que não fosse um coágulo
de espada

23.10.11


 
o seu resplendor ocultado no meu bocejo
na minha boca dependurada por um triz
no oceano distante e fecundo que se deita
que rompe e me faz da casa paz na terra,
fogo, água e ar: Baruch haba.




9.10.11

fake it como le gusta


você com essa pajelança de pica
cogita trombar com meu aspecto de dália
em meio aos pinos nos concertos ilustrados
na vala mnêmica que trepanada exala
transes
e sodomias como que sinceridades

você estrangula essa passagem
um Estreito de Gibraltar
afogado entre muros
a asfixia do seu pedúnculo
esse seu siso precário
esse falso arbítrio
compelido que nem engasgo
atracado ao rito feito vodu

o seu cajado espanca
um vasto delírio de me camuflar na sarça ardente
e seus dedos são perseguidores póstumos
necromantes
canículos enfeitiçados
apostando que no melindre da saliva que você planta
estará o plutão dos meus ossos