quero a sua febre decotando os meus arreios
reitero os papéis sujos, desperdiçados entupidoscomo bueiros como roedores como mágoas.
levo embora o quintal que sofreu com seus braços rotos
colabados ao corpo e que não sabiam, trincavam
roíam - cerravam as cortinas e supunham fábulas.
a hora não chegou e meus joelhos vingaram-se.
os pratos terminaram sozinhos longe dos copos das traças das gavetas
a insensatez e a solidão foram reino e punhal sob as sombras
ditando a lei maior que bóia e aperta os poros e a noite.
deita e ouve o preto dos seus restos
que nunca serão lavados através das mesas das calças abertas
que só atiçam a sua língua a um gemido indefeso, isolado
já morto entre as farpas da sua primeira infância.
não encontro mais a graxa do seu bojo, o descanso, as plumas
o arco tenso. o sol se pôs sobre as esquinas e talvez venha e corra o frio.
eu não sei mais se devo estar feliz.
sobraram tantos cantos nus que engasgo e recito o fio da desistência.
mas não aprendi como e oscilo e invento a fome pelo concreto pintado
pela massa que entendo com os dedos.
a greve falha e abandono os pregos
solto os cabelos, rolo exausta de silêncio e visão.
pingo álcool alameda minério pingo vôo. retorcida solto a âncora
e libélula santifico a casa ruída.
deliro parda, volto a seu estômago e atiro ao poço a moeda:
nenhum pedido ecoa. cumpro o rito sedenta sem resposta
sem atalho sem usura. com a torre e a broca invado o cerne a convite.
dos deslizes todos eu sou o amálgama confesso
e fervilho de segredos rupestres e de estreitas fontes.
é um desejo que se desdobra
sem contusão nem volta
mesmo que não sacuda os seus umbrais.







